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Capítulo 14 · O Bracelete Cap. 15 ▶▶
Bia tocando o braço de Helena, prometendo agir depressa enquanto Helena limpa discretamente o rosto
// Apartamento de Helena · Noite

Bia se aproximou, tocando o braço de Helena.

— Não vamos deixar isso acontecer.

— O tempo tá se esgotando — Helena sorriu triste. — Se acabar, Amy manda vocês de volta sem arriscar a segurança de vocês.

— Então precisamos ser rápidas — Bia disse, a voz firme. — Sem mais atrasos.

Helena assentiu, limpando discretamente o rosto.

— Por isso marquei encontro com Élida amanhã. Vocês precisam conhecê-la. Precisam entender como tudo funciona.

Helena explicando que Élida é a bioengenheira por trás do Nexxus, dos colares e das únicas armas contra a Gestora

— Élida? — Clara perguntou.

— A bioengenheira — Helena explicou. — A mente por trás das ferramentas. Do Nexxus. Dos colares. — Fez uma pausa. — E das únicas armas que temos contra a Gestora.

As meninas se entreolharam, a curiosidade acendendo nos olhos.

— Armas? — Isa pressionou.

O holograma do gato siamês flutuando na sala enquanto Helena explica o SDR e o Sincronizador Quântico integrado a Nexxus

Helena sorriu, mas era um sorriso cansado.

— O SDR e o Sincronizador Quântico. Os dispositivos que permitem viagens temporais sem ser detectadas. — Gesticulou, e o holograma mudou novamente, mostrando o gato siamês. — O SQ foi integrado ao Nexxus, permitindo que ele fosse enviado ao passado — pra encontrar vocês. O SDR foi enviado estrategicamente pra trazê-las.

Bia observava o holograma do gato, fascinada.

— Por que um gato?

— Porque ninguém suspeita de um gato — Helena riu de verdade agora. — Élida é genial. Criou um agente que podia se misturar, que não levantava suspeitas. E Amy programou a missão. Infundiu no Nexxus a tarefa de localizar vocês por meio das "assinaturas de desvio".

Helena sorrindo ao afirmar que a imprevisibilidade das meninas é a arma da Resistência contra o Sistema

— Os padrões neurais que a Gestora não consegue sintonizar — Sofia completou.

— Exatamente — Helena confirmou. — Vocês são anomalias. Não no sentido ruim — no sentido de que não se encaixam nos parâmetros do Sistema. São imprevisíveis. E isso... — sorriu. — Isso é a nossa arma.

Clara olhando para as próprias mãos, absorvendo a ideia de que são perigosas para o Sistema por serem livres de condicionamento

O holograma se dissolveu. A sala voltou à iluminação normal.

Clara olhava para as próprias mãos.

— Então somos perigosas pro Sistema porque somos... diferentes?

— Vocês são perigosas porque são livres — Helena corrigiu. — Livres de condicionamento. De programação. Vocês pensam, sentem, escolhem de forma que o Sistema não consegue prever. E isso o aterroriza.

Isa questionando se Élida criou tudo sozinha, enquanto Helena explica que foi um pacto entre duas amigas que recusaram aceitar o mundo como ele é

Isa estreitou os olhos, tentando entender.

— E Élida criou tudo isso sozinha?

— Com Amy — Helena corrigiu. — Foi um pacto. Uma aliança entre duas amigas que se recusaram a aceitar o mundo como ele é.

— Quando elas se conheceram? — Sofia perguntou.

Helena olhando para o próprio reflexo na janela escura, sorrindo ao lembrar que Amy e Élida se conheceram há mais de onze anos na Grains de Liberté

Helena caminhou até a janela, observando a cidade escura. O escaneamento noturno já havia começado — invisível, mas presente.

— Há mais de onze anos. Também na Grains de Liberté. — Sorriu pro reflexo no vidro. — Aquele café testemunhou muitas revoluções silenciosas.

A luz do apartamento pulsando mais longa e próxima do que antes, com Helena vendo o reflexo no vidro enquanto Bia percebe seu medo

O sorriso ainda estava no rosto quando a luz do apartamento pulsou.

Não foi o mesmo pulso leve da vez anterior. Foi mais longo. Mais próximo. Como se o escaneamento tivesse chegado um passo mais perto da superfície da Borracha Plúmbea Atóxica — e desta vez testado a resistência em vez de apenas tocar.

Helena viu no reflexo do vidro. Não se virou.

Bia também viu. Viu a luz. Viu o sorriso de Helena desaparecer. E viu os olhos de Helena no vidro encontrarem os seus — por uma fração de segundo, antes que Helena recompusesse a expressão. Nenhuma das duas falou. As outras não haviam prestado atenção.

Clara ainda olhava para as próprias mãos, Isa processava a última frase, Sofia ajeitava os óculos no gesto automático de quem está dentro de um pensamento. Helena afastou-se da janela com um passo calmo e deliberado. Bia a observava. Olhava para Helena, sem dizer nada.

Helena olhou para o bracelete. Voltou para a janela escura, onde o reflexo da cidade a encarava de volta. O escaneamento continuava lá fora, invisível e paciente, como tudo que o Sistema fazia bem. Fechou os olhos e pensou:

— Amanhã falo com Élida. Espero que eu esteja errada, mas acho que não estou.

Bia chamando Helena de volta dos próprios pensamentos, pedindo que continue contando sobre Amy e Élida

Bia, percebendo que Helena estava se perdendo em pensamentos, chamou-a suavemente de volta.

— Helena, continue nos contando sobre Amy e Élida.

Helena despertou do transe e sua voz ficou distante novamente, como se estivesse narrando um filme que só ela podia ver.

— Amy tinha uns vinte e três anos. Élida, vinte e cinco. E Bernard, dezenove. Eram amigas desde a adolescência, mas a vida as havia separado. Amy tornara-se 'cronista'. Élida, uma bioengenheira brilhante.

Bia se acomodou melhor na poltrona, preparando-se para ouvir.

— Elas se encontravam raramente. Mas quando Stephen desapareceu, Amy precisou confiar em alguém. Precisava de uma aliada. Marcaram na cafeteria.

Élida nervosa diante de um tablet na mesa do café, prestes a ouvir de Amy algo perigoso sobre o Subnível

Helena fechou os olhos, reconstruindo a cena.

— Élida estava nervosa. Sabia que tinha algo errado. Amy parecia diferente, mais sombria. Quando colocou um tablet na mesa e disse que ia contar algo perigoso, Élida quase saiu correndo.

— Mas ficou? — Clara mordeu o lábio.

— Ficou — Helena confirmou. — E Amy mostrou a verdade. Sobre o Subnível. Sobre o que realmente acontece com os 'inaptos'. Élida ficou pálida. Como bioengenheira, havia criado equipamentos de captação sináptica — mas nunca questionou o destino dos reprovados.

Amy perguntando a Élida se ela sabia o endereço de alguma comunidade dos inaptos ou onde estava Stephen, e Élida não sabendo responder

Sofia ajeitou os óculos, incomodada.

— Ela acreditava que estavam sendo ajudados?

— Todos acreditam — Helena abriu os olhos. — Ninguém ousa duvidar das boas intenções da Gestora, até descobrirem a verdade. Élida tentou se defender. Disse que o Sistema era justo, que os 'inaptos' eram realocados para comunidades especializadas.

— E Amy, o que disse? — Isa perguntou.

Helena sorriu triste.

— Amy perguntou se ela conhecia o endereço de alguma dessas comunidades. Se sabia onde estava Stephen.

Fez uma pausa, depois concluiu:

— Élida não soube responder.

Clara murmurando que foi naquele instante que Élida percebeu que o mundo em que acreditava havia desabado

— Foi aí que ela percebeu — Clara murmurou.

— Sim — Helena confirmou. — Foi aí que o mundo de Élida desabou.

Três figuras translúcidas de Hannes, Pideya e Skouter se manifestando sobre o tablet virtual, falando diretamente com Élida

Amy então fez algo que mudou tudo. Gesticulou, e hologramas surgiram novamente — três figuras translúcidas, flutuando sobre o tablet virtual.

— Amy ativou as NEUROTÁQUIONS. Hannes, Pideya e Skouter se manifestaram, falando diretamente com Élida.

As meninas se inclinaram para frente, fascinadas.

— O que elas disseram? — Sofia sussurrou.

Helena sorriu.

— Elogiaram o trabalho de Élida. Chamaram a engenharia dela de "poesia pura". Disseram que Amy havia permitido que enxergassem o mundo com os próprios olhos, não apenas com os da Gestora. — Fez uma pausa. — E pediram ajuda.

Amy e Élida apertando as mãos, selando décadas de amizade com o propósito de dar início à Resistência

Bia balançou a cabeça, admirada.

— Élida deve ter ficado em choque.

— Cambaleou. Apoiou-se na mesa — Helena confirmou. — Mas não fugiu. Amy estendeu a mão. Disse que precisava da pessoa em quem mais confiava. Disse que juntas poderiam proteger não apenas mentes, mas a própria esperança.

Clara limpou os olhos, emocionada.

— E Élida aceitou!

— Apertou a mão de Amy — Helena confirmou, a voz embargada. — Selou décadas de amizade com um propósito novo e perigoso. E disse: "Então que comece a Resistência".

Sofia limpando os óculos após os hologramas se dissolverem, comentando que a história de Amy e Élida é linda e triste

Os hologramas se dissolveram. O silêncio retornou.

Sofia limpou os óculos, gesto nervoso.

— Essa história é linda e triste.

— É real — Helena corrigiu. — E foi o começo de tudo. Daquele dia em diante, Amy e Élida trabalharam juntas. Criaram as ferramentas. Planejaram cada detalhe. E quando o momento certo chegou... — olhou para as meninas. — Enviaram o Nexxus pra encontrar vocês.

Isa de pé, inquieta, ouvindo Helena corrigir que as meninas não são parte do plano, mas o próprio plano

Isa se levantou, inquieta.

— E agora a gente tá aqui. Parte de um plano que começou muito antes da nossa existência.

— Não — Helena corrigiu, firme. — Vocês não são parte do plano. Vocês são o plano. Tudo o que Amy e Élida fizeram foi pra trazer vocês aqui. Pra dar a vocês a escolha que ninguém mais tem.

Bia sentiu o peso daquelas palavras.

— A escolha de salvar ou sacrificar.

Helena assentiu.

— A escolha que definirá o futuro de todos nós.

O relógio holográfico marcando 22h30 enquanto Helena explica o escaneamento noturno e Sofia disfarça um bocejo

O relógio holográfico na parede marcava 22h30. O escaneamento noturno estava em andamento — invisível, mas presente, varrendo a cidade. Clara olhou pela janela, vendo apenas escuridão.

— O escaneamento dura quanto tempo?

— Nove horas — Helena respondeu. — Das 22h às 7h. A gente tá segura aqui. — Tocou a parede. — Borracha Plúmbea Atóxica. Bloqueia qualquer varredura.

— Já aprendi sobre isso — completou Bia.

Sofia bocejou, tentando disfarçar.

— Desculpa. Foi um dia longo.

Helena sorriu.

— Vocês precisam descansar. Amanhã tem muito pra fazer. — Caminhou até o corredor. — Vou preparar as camas neurais.

Helena parada na porta do corredor, silhueta recortada contra a luz, agradecendo às meninas antes de apagar a luz

As meninas a seguiram, os corpos pesados de cansaço, a mente repleta de informações novas.

Enquanto se acomodavam, Bia murmurou:

— Helena?

— Sim?

— Obrigada. Por confiar na gente.

Helena parou na porta, a silhueta recortada contra a luz do corredor.

— Obrigada por virem — a voz saiu rouca. — Por darem esperança quando tudo parecia perdido. — Apagou a luz.

No escuro, as quatro ficaram acordadas por alguns minutos, processando tudo que haviam ouvido. Três anos de Helena na causa. Onze anos de aliança entre Amy e Élida. Décadas de resistência silenciosa. Tudo convergindo para aquele momento — para aquelas quatro meninas de 2027.

Clara foi a primeira a dormir, exausta. Isa logo seguiu. Sofia resistiu mais um pouco, mas o sono venceu.

A última a adormecer foi Bia. Ficou olhando para o teto invisível na escuridão, pensando em Amy, Élida, Helena. Em Will, Bernard, Vinícius. No peso de ser 'eleita'. Antes de fechar os olhos, sussurrou para si mesma:

— Não vamos decepcionar vocês.

E finalmente dormiu.

Um feixe de luz azul atravessando a parede do quarto ao amanhecer, com Bia e Sofia acordando sobressaltadas
// Apartamento de Helena · Amanhecer

O apartamento parecia dormir com elas. As luzes tinham baixado para um tom âmbar, suave, quase orgânico, como se respirassem no mesmo ritmo do grupo. Mas antes mesmo que o sol surgisse por trás das lâminas de vidro do distrito, um ruído baixo cortou o silêncio — um lamento elétrico, como o suspiro de um sistema acordando.

Bia abriu os olhos primeiro. Um feixe de luz azul atravessou a parede e se dissolveu antes de tocá-la. Não era luz natural — era um resíduo de varredura, o tipo de rastro que a Gestora deixava quando sondava zonas limítrofes. Como se tivesse chegado perto demais.

VARREDURA NOTURNA — ZONAS LIMÍTROFES.

BUSCA: REGISTRO DUPLICADO E.V.

RESULTADO: SINAL FRACO. FONTE NÃO LOCALIZADA.

PRIORIDADE: ELEVADA.

Bia sentou-se devagar. Sofia acordou em seguida, encarando a parede em silêncio absoluto.

— Você também viu? — Bia sussurrou.

— Sim... — Sofia murmurou. — Uma réstia de luz que passou pela parede. O que será?

Bia não respondeu imediatamente. Ficou olhando para a parede onde a luz havia passado, depois para a porta do corredor, depois para as próprias mãos.

— Helena deve saber.

Helena já completamente acordada no corredor, encarando Bia, que confirma sem perguntar que ela irá ao encontro de Élida naquele dia

Atrás delas, Isa resmungou algo e puxou o lençol para cima do rosto. Clara virou para o outro lado, abraçando o travesseiro. Helena surgiu no corredor, ainda amarrando o cabelo. Olhou para Bia — e Bia notou que ela já estava completamente acordada. Não havia o tom vagaroso de quem acabou de ser tirada do sono. Helena havia acordado antes delas.

— É apenas um movimento instável na rede — disse, a voz tranquila. — Não é perigoso. São vestígios do escaneamento.

Bia ficou de pé. Caminhou até a porta do corredor, parando a um passo de Helena.

— Você vai a Élida hoje — disse. Não era pergunta.

Helena não piscou.

— Sim. Hoje.

As duas se olharam por um momento — o tipo de olhar que não precisa de mais palavras porque as palavras já foram ditas na noite anterior, no reflexo de um vidro escuro.

— Acordem as meninas — Helena continuou, olhando para Sofia. — Tem coisas que vocês precisam saber antes que a cidade desperte completamente.

A tensão ficou suspensa no ar — leve, fina, quase imperceptível — mas suficiente para mudar o ritmo das batidas do coração de Bia.

As meninas reunidas ao redor de Helena no jardim suspenso, banhadas pela luz translúcida da manhã, prontas para mais revelações
// Apartamento de Helena · Jardim Suspenso

A manhã tinha chegado. E com ela, a conta regressiva. O sol entrava pela vidraça com um brilho translúcido, filtrado pelas folhas cristalinas do jardim suspenso. Havia algo quase sagrado naquela luz — um convite silencioso pra que o dia começasse com revelações. Helena reuniu as meninas no jardim. Elas se acomodaram ao redor dela, ainda sacudindo o torpor da noite, mas com os olhos vibrando curiosidade.

Bia foi a primeira a romper o silêncio.

— Obrigada por compartilhar essas verdades com a gente — disse, e as palavras carregavam uma gratidão que parecia mais madura do que no dia anterior.

Isa cruzou os braços, inquieta.

— Finalmente alguém resolveu nos contar por que fomos trazidas pra este mundo. Eu já tava ficando louca.

// Em Produção

O próximo capítulo ainda não foi publicado.

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