Não conseguiu responder. Apenas guardou as palavras, sem saber por que doíam.
Desde então se pegou analisando cada movimento das amigas, cada hesitação, cada possível erro. Como se estivesse ensaiando, dentro da própria cabeça, a maneira mais eficiente de consertar o que estivesse errado.
Ela se obrigava a observar tudo ao redor — os becos, as paredes descascadas, os rastros de drones no céu — qualquer coisa, menos pensar naquela tarefa que parecia uma armadilha para quem ela não queria se tornar.
Clara tropeçou num cipó emaranhado no caminho.
— Cuidado — Sofia disse, no automático. A voz saiu mais seca do que pretendia.
— Foi sem querer — Clara se desculpou, como se tivesse cometido uma falha grave. — Estava tão evidente, não sei como você não viu isso.
Sofia abriu a boca para dizer presta atenção.
Não disse.
A frase ficou presa na garganta.
Ela estava tratando o descuido de Clara como um desvio a ser corrigido. Otimizando a amiga como se ela fosse um parâmetro fora da curva.