Foi então que a luz do apartamento pulsou.
Um único pulso. Breve. O mesmo tipo de flutuação que Bia havia visto no refeitório do ITT horas antes.
Ninguém falou. Todas viram.
Só Bia ouviu.
Foi menos que um som — um fio de voz por baixo do zumbido da luz, fino como o de uma menina falando de muito longe. Duas palavras.
Vocês chegaram.
Bia olhou para as outras. Ninguém mais tinha levantado a cabeça.
Helena afastou os dedos do vidro.
Virou-se. O rosto estava controlado — o rosto de sempre, o de quem pesa cada palavra antes de soltá-la.
— É o escaneamento noturno — disse, antes que alguém perguntasse. — Está tocando os limites da proteção do apartamento. É normal. Estamos seguras aqui.
— Normal? — Isa cruzou os braços. — Isso acontece toda noite?
— Sim. O escaneamento dura nove horas. A Borracha Plúmbea Atóxica bloqueia qualquer leitura. Não há risco.
Falou Helena, sem muita convicção nas suas próprias palavras.