Clara segurou o encosto da cadeira, olhos marejados.
— E agora? O que vai acontecer?
Hannes flutuou mais perto, irradiando calor reconfortante.
— Agora vocês continuam a jornada. Cada etapa revelará mais sobre a missão de vocês. Cada experiência as fortalecerá. Assim, talvez — só talvez — encontrem um caminho que não destrua tudo que existe aqui.
Ela fixou os olhos em Clara, vendo o medo estampado no rosto dela.
— Não há nada a temer. Vocês estarão seguras, protegidas. E em breve voltarão para casa. Eu garanto.
Voltando-se para Bia, murmurou, quase como segredo:
— Nosso futuro depende de vocês. Sabemos que ele está em boas mãos.
As meninas ficaram paralisadas, o peso da frase comprimindo o peito. Hannes sorriu — esperança refletida em heroínas improváveis.
— Obrigada, meninas. Por serem quem são.
Estendeu a mão num gesto suave de despedida.
— Continuem. Há um roteiro a ser seguido. Alguém já espera para guiá-las ao próximo passo.
Seu corpo brilhou intensamente, tornando-se translúcido. A voz ecoou multiplicada, como se viesse de todos os cantos:
— Lembrem-se… vocês não estão sozinhas. Nunca estiveram. Nunca estarão.
Numa explosão suave de luz dourada, Hannes se desmaterializou. Partículas luminescentes flutuaram antes de desaparecerem.