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Capítulo 22 · O Subnível Cap. 23 ▶▶
Helena acionando o bracelete para contatar Skouter enquanto o grupo atravessa uma estação de metrô suspensa de túneis transparentes
// Metrô Suspenso · Rota de Fuga

Helena imediatamente acionou o bracelete e fez contato com Skouter, informando que Natália estava ferida e que provavelmente não chegariam ao laboratório da Amy, como combinado.

Skouter começou a elaborar uma rota alternativa, enquanto transmitia instruções para Helena.

Passaram por uma estação de metrô suspensa, com túneis transparentes. Quando se aproximaram de um Arco de Inspeção, ele desligou sozinho. Nas ruas, câmeras viravam para o lado oposto ao delas, sem explicação.

Isa cutucou Natália.

— O que tá acontecendo? Isso não é normal.

Natália buscava respostas, mas foi Nexxus quem completou:

— Isso é… sabotagem — acrescentou. — Sabotagem do bem.

Um drone desenhando no ar uma seta luminosa que aponta para uma porta trancada, que cede e se abre sozinha

Helena levantou o olhar para um drone estacionado acima de uma passarela. Ele piscou uma luz azul fraca — num padrão que Helena conhecia.

Foi então que informou:

— Fiz contato e Skouter tá nos protegendo — disse em voz baixa. — Tá usando os drones pra limpar o caminho. Ela está programando um caminho seguro para nós.

Quando subiram a passarela de vidro que cruzava dois setores altos da cidade, outro drone avançado emergiu diante delas. As meninas pararam. Helena agarrou o braço de Sofia. Isa deu um passo para trás. Natália ergueu o braço em posição de defesa.

O drone pairou — a luz pulsando no mesmo padrão do anterior.

Então desenhou no ar uma seta luminosa que se dissolveu em partículas instantes depois. A seta apontava para uma porta trancada, que cedeu e abriu lentamente quando elas se aproximaram.

Helena respirou fundo:

— Skouter está providenciando um plano alternativo para chegarmos com segurança — murmurou. — Logo vocês a conhecerão.

Helena aproximou-se de Natália e cochichou algo, que nem mesmo Nexxus conseguiu captar.

Elas atravessaram a porta e o drone desapareceu no céu.

Natália explicando ao grupo assustado que precisará se entregar ao Sistema para não ser caçada pelos outros SENTINELAS

— Pra onde a gente tá indo agora? Achei que fôssemos encontrar Amy — comentou Clara, mordendo o lábio.

— Vamos encontrá-la — respondeu Natália. — Mas o ferimento mudou o plano. Skouter avaliou que eu não chegaria ao laboratório sem ser detectada, e me orienta a usar a única saída que me resta: me apresentar ao Sistema, para não ser caçada e morta pelos outros SENTINELAS.

As meninas congelaram. Isa quase surtou:

— Como assim? Se entregar! Por quê?

— Não se preocupem. Está tudo sob controle. Apenas observem em silêncio — instruiu Natália.

A monumental Prefeitura do Tempo, com seu domo geodésico suspenso e corredores helicoidais, com o prefeito Adolfo Vargas ao centro
// Prefeitura do Tempo

Entraram. Em poucos instantes, puderam avistar a Prefeitura do Tempo. A praça era monumental. No interior, um domo geodésico suspenso, com anéis concêntricos de luz, dominava o ambiente. Corredores helicoidais subiam pelas paredes externas. Fluxos de dados projetados no ar, como rios digitais em movimento. E guardas internos — muitos guardas internos.

O grupo caminhou pelo centro, desviando de olhares, fingindo naturalidade. O saguão interno era ainda mais imponente — colunas que pareciam alcançar o espaço. E ao centro, como guardião do próprio futuro… Adolfo Vargas.

O prefeito virou-se ao reconhecê-los. Helena prendeu a respiração, sem saber como reagir. Sofia quase tropeçou, ajeitando os óculos.

Vargas caminhou até elas com passos lentos, medidos — o peso da autoridade treinada por anos. O rosto era uma máscara de poder, mas os olhos, mirando Helena, pareciam acariciá-la.

Quando parou diante delas, disse em tom mais alto do que o necessário:

Natália se entregando teatralmente diante do prefeito Vargas, que faz um gesto discreto tocando o anel no anular esquerdo

— Natália… Que circunstância estranha. Seu rosto estampado pela cidade e você vem parar exatamente aqui.

Helena já sabia. Era atuação.

Natália respondeu dentro do jogo:

— Estou apenas seguindo o protocolo de segurança. Venho me apresentar para ser julgada. Me entrego à sua autoridade. Pelos anos de dedicação, venho pedir para ser 'revogada'.

Soltou as travas do capacete, tirou-o devagar e o entregou ao guarda que se aproximava. Sem ele, o rosto dos painéis de PROCURADA estava ali, exposto, ao alcance de todos. Nunca mais voltaria a usá-lo.

Um guarda ao fundo iniciou o protocolo de detenção. As telas surgiram ao redor com alerta. Clara agarrou o braço de Sofia. Isa cerrou as mandíbulas. Sofia sentiu as pernas amolecerem — mas Bia permaneceu impassível, esfregando o antebraço. Instintivamente, já havia percebido o que estava acontecendo.

Vargas observou a cena por um segundo e então fez um gesto quase imperceptível — tocou o aro do anel no anular esquerdo.

O sinal foi compreendido pela segurança. As telas de alerta foram desligadas. Os guardas internos se afastaram. O protocolo foi suspenso. Aquele gesto significava que o prefeito, em reconhecimento ao ato de entrega voluntária, cuidaria do caso pessoalmente. Natália e Vargas trocaram um único olhar — compreensão, coordenação, aliança.

A rotina na Prefeitura seguiu normalmente.

Amy entrando serena pela porta lateral enquanto o prefeito Vargas profere a sentença de Natália e das meninas

Foi nesse momento que uma porta lateral se abriu. Passos delicados ecoaram no salão. Amy entrou. Parecia deslocada naquele ambiente, embora trabalhasse ali há longos anos. Estava serena — com o tipo de calma de quem sabe como planejar o futuro.

Vargas, mantendo a postura do personagem na encenação, dirigiu-se a Amy:

— Leve a prisioneira e todos os que a acompanham. Passe pela enfermaria e tome todas as providências necessárias — enfatizou — cuide para não haver abusos e que ninguém sofra medidas indevidas. — Depois finalizou: — Pelo poder a mim conferido pela própria Gestora, estão todos sentenciados.

O prefeito Adolfo Vargas proferiu a sentença em voz alta:

— Natália será 'revogada' e os demais serão 'realocados' nas Comunidades Especializadas.

Dada a sentença, recuou com a dignidade exata para não chamar atenção, deixando os prisioneiros sob os cuidados da assistente direta e dois guardas internos armados com um dispositivo em formato de bastão — o Neutralizador Neural.

Normalmente, qualquer SENTINELA que se voltasse contra o Sistema seria capturado e executado publicamente, num ritual cruel — o único delito cuja pena era demasiadamente severa. Somente o prefeito poderia 'revogar' um SENTINELA.

De fato, a sentença que Natália recebeu era uma punição branda — uma espécie de perdão que só ele poderia dar. Ela teria o mesmo destino das meninas.

Ninguém questionou, pois todos sabiam: Natália era a esposa de Adolfo Vargas.

Os termos 'revogar' e 'realocar' eram jargões usados pelas autoridades governamentais para enviar pessoas ao Subnível. Pessoas ligadas ao prefeito fariam isso sem a leitura formal da sentença, como faziam os SENTINELAS.

Amy conduzindo Natália e o grupo por um corredor estreito, deixando para trás a Prefeitura

— Venham comigo — disse Amy, sem elevar o tom.

Os guardas internos testemunharam tudo e não interferiram. Natália inclinou a cabeça em respeito silencioso.

Helena observou. Aquilo não era uma simples intervenção — era autoridade verdadeira, delegada pela Gestora aos de sua confiança.

Depois de passarem pela enfermaria, os guardas internos foram dispensados.

Amy virou-se e caminhou para um corredor estreito. O grupo a seguiu.

A partir daquele momento, segundo o fluxo normal do Sistema, as pessoas sentenciadas jamais veriam o mundo novamente.

O grupo descendo uma escadaria em espiral sufocante rumo às entranhas da cidade, até uma plataforma diante de um elevador de aço escuro
// Escadaria do Subnível

Na descida, atravessaram portas que guardavam segredos — não eram portas comuns, mas chapas de metal cinza que pareciam conter as trevas. Passaram por corredores que não existiam mais nos mapas, túneis de concreto frio onde o único som era o deslizar dos sapatos no pó fino do chão. Desceram escadas que pareciam nunca terminar — uma espiral sufocante que levava às entranhas da cidade, até chegarem ao subsolo.

A cada lance, o ar ficava mais pesado e a temperatura caía, trazendo a umidade gélida da terra.

Caminhavam em silêncio. Amy seguia à frente, rosto rígido, sem olhar para trás. Nexxus caminhava ao lado dela. Os passos ecoavam fora de sincronia no poço da escadaria.

Quando pensaram ter descido tudo, a escada terminou abruptamente numa plataforma de concreto. Diante delas, uma parede de aço escuro com uma abertura para um elevador de plataforma.

Aquela era a entrada do Subnível — o ponto de não retorno.

Isa fez menção de dizer algo, os olhos fixos na escuridão da abertura — mas Natália fez um sinal rápido com a mão, pressionando-a a permanecer em silêncio. Todas entenderam e fizeram o mesmo, engolindo o medo. Entraram no elevador. A porta de metal deslizou com um som pesado, selando-as dentro da caixa.

Começaram a descer ainda mais. Não havia luzes coloridas nem música — apenas um zumbido grave no motor e o chiar da fricção contra o fosso. A pressão nos ouvidos era intensa, e o estômago de Sofia revirou com a longa e silenciosa descida.

Natália apertou o pulso, sentindo o suor frio na palma da mão. Podia sentir os olhos invisíveis da Guarda Interna sobre elas — sabia que qualquer desvio, qualquer som alto, seria interpretado como tentativa de fuga. E a ordem de neutralização era imediata e letal.

No escuro apertado da descida, Sofia procurou a mão de Natália. Não disse nada — não podia. Apenas entrelaçou os dedos nos dela, desajeitada, como quem ainda aprende o gesto. Natália apertou de volta. Era a primeira vez que a filha a tocava sabendo que era filha.

A porta se abriu. O cheiro de metal oxidado e algo indefinível, denso, atingiu o grupo.

Amy abraçando Helena com alívio ao chegarem ao ponto neutro do Subnível, longe da vigilância do Sistema
// Ponto Neutro do Subnível

Ao saírem, Amy foi a primeira a falar:

— Até que enfim… Não suportava mais esse silêncio! Aqui estamos seguras — podemos ser nós mesmas!

Virou-se rapidamente e abraçou Helena.

— Que bom que chegaram bem até aqui!

Depois, olhando para Natália:

— Lá fora, as ruas viraram puro caos, com drones e SENTINELAS vasculhando tudo!

Foi então que o ambiente mudou.

O ar perdeu a vibração tensa que vinha do Sistema, e algo — silencioso e vivo — começou a pulsar ao redor delas. A partir daquele ponto, o monitoramento era feito pela Guardiã do Governo. O pulsar discreto não desapareceu — ao contrário, se intensificou quando deram os primeiros passos dentro do ponto seguro.

Amy afastou-se de Helena. O sorriso era de um triunfo silencioso, guardado há anos. Natália não sentia mais o peso de ser SENTINELA. O medo das meninas desapareceu no mesmo instante.

Amy se apresentando ao grupo como a arquiteta, enquanto Bia, Clara, Isa e Sofia trocam olhares de reconhecimento

— Chegamos ao ponto neutro. A atuação de vocês foi impecável — disse Amy, dirigindo-se a Natália e, em seguida, olhando para o teto: — Natália, Adolfo.

Só o prefeito Vargas poderia ouvi-la dali.

Amy então se virou para o grupo, com um gesto suave:

— Eu sou Amy, a quem chamam de "arquiteta".

Fez uma breve pausa e prosseguiu:

— É uma honra finalmente conhecê-las pessoalmente. Isso é mais que um plano concluído. É a história sendo escrita.

Bia, Clara, Isa e Sofia trocaram olhares silenciosos, de reconhecimento. O futuro que tantas vozes anunciaram finalmente tinha rosto.

A profecia estava se cumprindo:

"Quando as Eleitas de outro tempo encontrarem a 'arquiteta', os dias de dominação do Sistema estarão chegando ao fim."

Amy estendeu a mão para Natália:

— Quando soubemos que você estava ferida e exposta, Skouter lembrou-se da sua proximidade com o prefeito, Natália, e improvisou essa estratégia para você ser 'revogada'. Só assim a Gestora se afastaria. Agora estamos livres de sua vigilância.

Natália apertando a mão de Amy com gratidão enquanto ouve sobre o Subnível ser a maior prisão mental da Gestora

Natália apertou a mão da Amy, com a certeza de quem estava em boas mãos:

— Eu esperei muito por esse dia, Amy. É uma honra servir à sua causa. A nossa única preocupação agora é a segurança das meninas.

Amy sorriu com carinho. Olhou nos olhos de Natália e falou:

— Estamos todos seguros agora. — Uma pausa. — Como você bem sabe, o Subnível é a maior prisão mental da Gestora — sua fonte geradora de energia, com sua fome insaciável.

Natália abaixou a cabeça em silêncio. No tempo em que ainda era SENTINELA, Natália já havia alimentado o Subnível, trazendo-lhe os 'inaptos'.

Amy continuou:

— Para nós, ele é o nosso caminho para a salvação.

Skouter se materializando como uma mulher feita de luz pura, com linhas verdes correndo sob a pele translúcida, suspensa sem tocar o chão

Antes que qualquer coisa fosse dita, um brilho esverdeado surgiu ao centro do túnel, expandindo-se como uma pulsação luminosa. Linhas verdes correram como rios sob a pele translúcida da figura, até que uma mulher feita de luz pura se formou ali — suspensa, solene, inumana e ainda assim profundamente presente. Os pés se aproximavam, mas não tocavam o chão.

Helena deu um passo à frente:

— Meninas. Esta é Skouter. Nossa aliada, como Hannes e Pideya.

A NEUROTÁQUION inclinou a cabeça, a voz ressoando como um sino abafado pela bruma:

— Saudações, Eleitas, Helena, Nexxus e Natália. Que bom que chegaram. Ainda temos muito trabalho pela frente.

Amy sorriu, satisfeita:

— Skouter usou a posição de Guardiã para garantir a rota de fuga de vocês. — Suspirou aliviada. — Minha encenação termina aqui. Volto à Prefeitura para manter o nosso disfarce vivo. A Gestora acredita que Natália não é mais um risco e que todas vocês foram levadas para as cápsulas…

Respirou fundo, olhando para as meninas:

— Skouter vai guiá-las a partir daqui. Esta rota subterrânea leva diretamente ao meu laboratório — murmurou, olhando para o teto. — Élida já aguarda por vocês. Chegarei logo em seguida.

Amy fazendo um aceno reverente e entrando de volta no elevador, deixando o grupo aos cuidados de Skouter

A revelação da rota de fuga deixou Natália surpresa. Amy sabia que, lá em cima, o prefeito Vargas estaria igualmente surpreso — aquela passagem havia sido construída muito antes da gestão dele.

Amy fez um aceno reverente para o grupo:

— Nos veremos em breve.

Virou-se e entrou no elevador. A porta deslizou, selando a farsa.

— O que verão agora não será nada agradável, mas é importante que conheçam como o Sistema se mantém — falou Skouter, enquanto as guiava.

Fileiras infinitas de cápsulas transparentes numa caverna subterrânea com veias esverdeadas luminosas, cada uma abrigando um corpo humano suspenso
// Caverna dos Inaptos

Conforme caminhavam, o cheiro se intensificava — notas leves e fugazes numa combinação de limpeza e ar artificial, transmitindo a sensação de um ambiente onde a vida é mantida em condições perfeitas, porém artificiais. O som do fluxo de energia era ininterrupto. Ao atravessar um portal de luz azulada, chegaram a uma espécie de caverna subterrânea. No subsolo não havia paredes sólidas, mas algo parecido com veias gigantes — filamentos espessos e transparentes com uma luz esverdeada. Gotículas de um líquido viscoso escorriam e se espalhavam pelo chão, escoando por um ralo.

— Mantenham-se perto — sussurrou Skouter. — Assim, o pior será bloqueado por mim.

À medida que avançavam, a visão se abria, aterradora. Fileiras e mais fileiras de cápsulas transparentes surgiam. Milhares delas. Cada cápsula abrigava um ser humano — imóvel, vestido num uniforme cinza colado como uma segunda pele, suspenso num líquido azul-claro. Tubos finos e brilhantes conectavam-se às cabeças, pulsos e tornozelos. Os olhos estavam fechados, e as expressões eram de uma serenidade perturbadora.

— São os 'inaptos' — a voz de Skouter soou, cheia de melancolia. — Aqueles cujas mentes não se curvaram.

As meninas estavam tensas. O horror pairava ao redor.

Clara e Helena reconhecendo rostos conhecidos dentro das cápsulas, Clara encostando o dedo no vidro ao ver Vinícius

Clara deu um passo curto, depois outro, e parou. O rosto empalideceu antes mesmo que as palavras saíssem:

— Vinícius… — o nome saltou da boca.

Encostou o dedo no vidro, e o mp3 dentro do bolso pareceu vibrar.

Helena avançou mais alguns passos e congelou. O rosto dentro da cápsula tinha uma barba curta e uma expressão serena:

— Bernard… — o nome saiu como um sopro sem ar. Helena tremia.

Isa e Sofia paralisadas diante das cápsulas de Will e Daniel, Sofia com a mão espalmada sobre o vidro numa despedida impossível

Isa caminhava como quem luta contra a própria intuição — até que viu. Apontou o dedo para o vidro:

— Will… Will… — a voz saiu sem força.

Sofia a segurou pelo braço, mas Isa não parecia sentir nada — só repetia o nome, como se tentasse acordá-lo.

Bia seguiu devagar, com medo de olhar. E mesmo assim olhou. As pernas quase dobraram:

— Aquele é Antonio… — disse, a voz entristecida. — Um bom homem, que nos ajudou na fuga do acampamento.

Sofia, distante do grupo, parecia buscar algo inevitável — até que encontrou a cápsula certa. O corpo se curvou:

— Daniel… — Uma lágrima caiu antes que ela percebesse.

A mão espalmada sobre o vidro era uma despedida impossível.

Helena engolindo um soluço diante da cápsula do Pastor Davi, entre fileiras de rostos conhecidos e desconhecidos

Helena engoliu um soluço ao olhar para outra cápsula. O homem ali dentro tinha o rosto tranquilo, como quem aceita um fardo que não deveria carregar:

— Pastor Davi…

As meninas ficaram paradas, observando a atrocidade da Gestora. Muitos rostos conhecidos — e tantos outros. Um altar de perdas. Testemunhas silenciosas da dominação.

O Subnível era o retrato daquela sociedade — perfeita na aparência, subvertida no interior.

Sofia tocando o vidro de uma cápsula que pulsa de luz, refletindo sobre a escravidão da alma imposta pela Gestora

Foi Bia quem rompeu o silêncio:

— Eles… estão desligados da vida — disse, lembrando-se das palavras da Natália.

— Exatamente isso — respondeu Skouter, de pronto. — Estão vivendo em uma simulação. A Gestora não os destrói. Ela os consome. Tira deles a capacidade de questionar, de sentir plenamente.

Sofia tocou o vidro de uma cápsula e a luz pulsou:

— Então eles existem… mas não estão aqui. Não do jeito que deveriam — disse, com voz trêmula.

— É uma escravidão da alma — continuou Skouter. — Quando a energia se esgota, os corpos tentam a regeneração e o ciclo recomeça. Assim, gerarão energia eternamente para a Rede Neurotaquiônica.

Bia perguntando a Skouter se vão libertar os inaptos, diante do núcleo físico da Rede Neurotaquiônica com luz esverdeada intensa

Clara olhava os rostos serenos dos 'inaptos', e imagens de pessoas amigas e familiares surgiam na mente. Isa sentia a dor profunda — o contraste entre a beleza das flores de cristal e a podridão oculta. Natália só conseguia pensar na crueldade com que ela mesma havia praticado a violação da dignidade humana. Bia recuou um passo:

— Vamos tirá-los daqui, não vamos? — perguntou, olhando para a Guardiã do Governo.

Skouter inclinou-se ligeiramente:

— Esse é o plano. — Guiou-as até uma seção onde a luz esverdeada era mais intensa. — É ali. O núcleo físico da Rede Neurotaquiônica. Poderíamos destruí-lo, mas as consequências seriam inimagináveis. Por isso vamos invadi-lo. Nossa guerra não será física — será virtual.

Olhando para elas, convidou:

— Hora de subirmos.

Um fosso vertical se abrindo numa parede luminosa, com o elevador que levará o grupo ao laboratório de Amy

Aproximou-se de uma parede e tocou num painel luminoso. Um fosso surgiu, revelando uma abertura vertical estreita e profunda, que parecia se estender do abismo ao céu.

— Este é o caminho para o laboratório.

O elevador chegou rápido. Nexxus foi o primeiro a entrar. A subida foi lenta e compassada. Ninguém disse nada. Aos poucos o elevador se aproximava do destino — mais alguns instantes e chegariam ao laboratório de Amy, a última etapa daquela insólita viagem. Finalmente, Bia, Clara, Isa e Sofia conheceriam Élida — a peça final no tabuleiro contra aquele sistema de opressão.

// Em Produção

O próximo capítulo ainda não foi publicado.

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