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Capítulo 21 · A Fuga Cap. 22 ▶▶
Isa analisando dados de rotas e coordenadas num tablet, percebendo um padrão perfeito demais para ser coincidência
// Apartamento de Helena · Antes da Fuga

Isa pegou o tablet. Os dados estavam ali. Rotas. Horários. Coordenadas.

Ela começou a analisar.

E então viu.

Os padrões eram perfeitos. Não apenas correspondiam — encaixavam. Como se alguém tivesse desenhado o caminho.

Como se os passos delas já estivessem traçados. Aquele caminho tinha toda a cara de uma emboscada.

Natália deu um passo à frente e ativou a projeção secundária; uma luz branca forte e ofuscante inundou a tela do tablet, destacando os gráficos.

A mão de Isa tremeu. Seu corpo pareceu congelar.

Isa paralisada e com o olhar vazio, o tablet caído no chão, enquanto Clara e Bia se aproximam preocupadas

— Isa? — Clara tirou os fones. — O que foi?

Isa não respondeu. Os dedos perderam a força e o dispositivo escorregou, batendo no chão com um estalo seco que ecoou pela sala.

— Isa? — Bia deu um passo à frente, largando o caderno digital.

Ela continuava estática, os olhos fixos em algum ponto invisível entre a parede e o nada.

— Ei — Sofia se aproximou devagar, pousando a xícara de chá. — O que aconteceu?

Isa abriu a boca, mas nenhum som saiu.

Isa estremecendo ao ouvir um eco de voz sem origem, com Clara segurando seus ombros

"Você não controla nada. Nunca controlou."

O eco daquela voz — que não pertencia a ninguém ali dentro — fez seus ombros subirem em um espasmo. Os nós de seus dedos empalideceram.

— Isa! — Clara segurou os ombros dela.

— Não... — o sussurro saiu espremido. — Não me toca...

— Isa, olha para mim — Bia se posicionou na frente dela, forçando o olhar. — Olha para mim.

As pupilas de Isa estavam dilatadas, vidradas.

Bia segurando o olhar de Isa e ancorando-a, forçando-a a respirar e enxergar a realidade ao redor

— Isa — Bia repetiu, a voz firme, ancorando a amiga. — Olha para a gente.

Isa balançou a cabeça, o peito subindo e descendo rápido demais.

— Eu não... eu não acredito nisso...

— Do que você está falando? — pediu Clara, segurando a mão dela com suavidade. — Só respira.

Isa fechou os olhos. Puxou o ar uma vez. Duas. Na terceira, o oxigênio saiu trêmulo, mas carregado de uma súbita indignação.

— Como alguém pode saber o caminho que faremos, com tanta exatidão, se nem saímos deste lugar? — murmurou, abrindo os olhos faiscantes. — Os padrões se encaixam perfeitamente. Como se fôssemos gado seguindo uma trilha cercada. E se o Sistema já estiver nos manipulando? Se formos só marionetes?

— Então a gente descobre juntas — disse Bia. — E aí a gente quebra os fios.

Isa e Clara se reconciliando em silêncio após o momento de tensão, mãos entrelaçadas

Isa olhou para as mãos. Ainda tremiam.

— Me desculpem, eu perdi o controle.

— Não precisa se desculpar — Clara respondeu, sem hesitar.

— Clara — disse Isa, sem olhar direito para ela, do jeito que falava quando o assunto custava. — Aquilo que eu falei. Sobre alguém sempre estragar as coisas. — Engoliu. — Saiu meio sem querer. Acho que exagerei um pouco.

Não era um pedido de desculpas. Mas Clara entendeu que era o mais perto que a Isa chegava de um.

— Tá tudo bem — disse Clara. — Já passou, Isa.

Natália, Helena e Bia consolando Isa, falando sobre escolhas e liberdade em vez de controle

Natália foi mais incisiva.

— Não se pode perder o que não se tem, Isa. Ninguém tem o controle de nada. Tudo o que temos são possibilidades e escolhas.

— Escolher é o que nos torna livres — completou Helena.

— E eu escolho que a gente sempre faça escolhas juntas! — propôs Bia, com um largo e contagiante sorriso.

Isa respirou fundo mais uma vez.

Desta vez, o ar saiu mais calmo.

— Tá... — ela disse, a voz quase um sussurro. — Juntas... sempre juntas.

Isa observando a cidade pela janela sob o sol da manhã enquanto Nexxus vigia silenciosamente ao seu lado

Abaixou-se devagar, recolheu o tablet do chão e o guardou na mochila. Natália assentiu, cruzando os braços. Ninguém insistiu em novas perguntas; a calmaria que se instalou na sala era a resposta que precisavam. Clara recolocou os fones, e Sofia voltou a encostar-se à parede, erguendo a xícara morna.

Isa caminhou de volta para a janela. Não apoiou a testa no vidro desta vez. Ficou de pé, os braços cruzados, observando o sol alto sobre a cidade. O frio no estômago ainda persistia, mas o peso em seus ombros já não era o mesmo.

Ela não estava sozinha. Nexxus, processava cada reação da Isa. Ele era o guardião silencioso das meninas. A saúde delas era a sua prioridade.

O tempo parecia não passar enquanto aguardavam o contato de Amy. Era como se o mundo prendesse o fôlego com elas, enquanto esperavam.

Mais uma hora se arrastou até que Nexxus entrou na sala rapidamente, emitindo um som suave — quase um sussurro. O sinal de urgência que todas já conheciam.

Nexxus anunciando que Amy transmitiu o protocolo enquanto Natália se prepara para liderar o grupo

— Amy transmitiu o protocolo. Podemos ir agora.

— Vamos. Não podemos perder mais tempo. Amy nos espera — disse Natália, prontificando-se a liderar.

Painéis gigantes exibindo o rosto de Natália sob o selo vermelho de PROCURADA nas ruas vigiadas da cidade
// Ruas de Ibaru · Cidade em Alerta

E naquele momento, o apartamento que tinha sido palco de uma revelação emocionante ficou vazio. O grupo saiu em silêncio.

A cidade estava sob vigilância. As ruas, cheias de patrulhas. Agitadas. Painéis enormes exibiam o rosto de Natália sob o selo vermelho de PROCURADA. A identidade dela agora estava exposta para todos.

O grupo mal tinha deixado o prédio quando uma sirene cortou o ar. Não era a sirene comum — daquelas que anunciavam o fim do expediente ou a troca de turnos dos drones de limpeza. Era um som agudo, intermitente, que fazia os cabelos da nuca se eriçarem.

O grupo escondido atrás de uma tubulação enquanto um SENTINELA varre o beco com o visor escuro

— Já me detectaram — murmurou Natália, os olhos percorrendo as ruas como uma jogadora de xadrez que antecipa os movimentos do oponente. — Venham. Rápido.

Puxou Helena pela mão e disparou em direção a um beco estreito, espremido entre dois arranha-céus de vidro escuro. As meninas correram atrás, os passos ecoando no chão metálico.

Atrás delas, o som de botas. Muitas botas.

— Eles já estão na nossa rua! — gritou Isa, olhando para trás.

Natália não respondeu. Fez um sinal brusco com a mão, ordenando silêncio, e as guiou por uma estreita passagem de serviço — canos expostos, vapor sibilando, cheiro de óleo queimado e de algo podre. O tipo de lugar que a cidade perfeita escondia em suas entranhas.

— Agora! — empurrou todas para dentro de um nicho escuro, atrás de uma tubulação gigante.

Apertaram-se, prenderam a respiração. As botas passaram tão perto que Clara pôde ver as fivelas metálicas reluzindo na penumbra. Um dos SENTINELAS parou. Inclinou a cabeça, como um cão farejando. O visor escuro varreu o beco, passando centímetros acima do esconderijo.

Clara apertou os olhos. Bia segurou o próprio braço com tanta força que as unhas marcaram a pele. Isa, encostada na parede, parecia uma estátua. Até Nexxus — escondido na mochila de Bia — permaneceu imóvel, os olhos reduzidos a duas frestas azuis.

O SENTINELA emitiu um som estático, como se comunicasse com alguém. Depois, continuou.

Só respiraram quando o som das botas se perdeu ao longe.

Natália liderando a subida por uma escada de serviço quase invisível na parede externa do beco

— Isso foi perto demais — sussurrou Sofia, a voz trêmula.

— E vai ficar pior — respondeu Natália, já se levantando. — Vão cobrir todos os acessos ao Setor Central. Precisamos chegar lá antes que fechem as passagens.

— Como? — perguntou Bia, prática.

Natália apontou para uma escada de serviço, quase invisível, que subia pela parede externa do beco.

— Por cima.

— O quê? — Clara arregalou os olhos. — Subir ali?

— Não temos escolha.

Natália foi a primeira. Os movimentos eram precisos, felinos — anos de treinamento como SENTINELA agora servindo à fuga. Helena subiu atrás, depois Bia, depois Isa. Sofia hesitou por um segundo, olhando para o vazio, mas Clara segurou sua mão.

— Juntas, lembra?

O grupo atravessando telhados entre dutos de ventilação enquanto drones de patrulha varrem as ruas abaixo
// Telhados do Setor Central

Sofia subiu. O terraço era um labirinto de dutos de ventilação, painéis solares e antenas que piscavam em silêncio. Lá embaixo, a cidade fervilhava com o brilho frio dos drones de patrulha. Holofotes varriam as ruas em padrões sincronizados.

— Por aqui — Natália guiou o grupo por uma passarela estreita, equilibrando-se na borda do edifício.

Isa olhou para baixo e sentiu o estômago revirar.

— Não olhe — disse Bia, tocando o ombro dela.

Atravessaram mais três telhados, saltando pequenos vãos, desviando de drones ocasionais que Natália detectava com segundos de antecedência. Num dos saltos, Clara escorregou. Bia a segurou pelo braço, puxando-a de volta.

— Tô com você — murmurou Bia.

Clara apenas assentiu, pálida.

Três drones de patrulha deslizando em silêncio, varrendo a entrada do beco escuro com luz azul
// Beco Próximo ao Setor Central

Desceram por uma escada de incêndio tão enferrujada que gemia a cada passo. O beco onde desembocaram era escuro, úmido, com um cheiro nauseante de lixo acumulado há décadas. Mas estava vazio.

— Estamos perto — disse Natália, erguendo os olhos para o alto dos prédios, como quem confere um mapa que sabe de cor. — Só mais duas quadras.

Foi quando uma luz azul varreu a entrada do beco.

Drones. Três deles, em formação, deslizando em silêncio.

— Tão vasculhando — Isa sussurrou, o pânico apertando a garganta.

Natália avaliou a distância, a posição dos drones, as alternativas. Não havia tempo para voltar. Não havia outro beco.

— Helena, escuta — disse, rápida. — Quando eu der o sinal, vocês correm em direção àquele contêiner. Não olhem para trás. Não parem.

— O que você vai fazer? — Helena perguntou, os olhos marejados.

— O que sempre fiz: proteger vocês.

Natália caminhando de braço erguido em saudação diante dos drones, declarando seu código de patrulha

Antes que Helena pudesse protestar, Natália saiu do esconderijo. Caminhou em direção aos drones com passos firmes, sem pressa.

— Fonte não identificada — uma voz metálica soou dos alto-falantes. — Identifique-se ou será neutralizada.

Natália ergueu o braço. Não em defesa. Em saudação.

— Código 734-Alfa-Ômega. Unidade de varredura especial. Relato de invasão no Setor 9. Sigo para averiguação.

Os drones pairaram, processando. Por um segundo eterno, nada aconteceu.

Então as luzes azuis se apagaram. Os drones seguiram adiante, como se nada tivesse acontecido.

Natália virou-se e fez um sinal rápido.

— Agora!

O grupo ofegante encostado numa parede fria após escapar dos drones, Clara perguntando como Natália conseguiu enganá-los

As meninas correram. Não pensaram. Não hesitaram. Apenas correram em direção ao contêiner, atravessaram uma rua deserta, mergulharam em outro beco — enquanto Natália as alcançava com passos largos.

Quando pararam, ofegantes, encostadas numa parede fria, Clara foi a primeira a falar:

— Como você fez isso, Natália?

Ela respirou fundo antes de responder.

— Por sorte, ainda tenho o código. Por enquanto. Mas muito em breve vão revogar todos os meus acessos. Alguém está atrasando a revogação para nos ajudar. Até lá, é a única arma que tenho.

Olhou para Helena, para Sofia, para todas.

— Vamos. Ainda não chegamos.

Um drone de ataque de luzes vermelhas pulsantes emergindo da escuridão para sentenciar Natália como sentinela desertora

O grupo recomeçou a caminhar, ainda ofegante, quando um zumbido agudo cortou o silêncio do beco.

Não era como os outros. Mais próximo. Mais rápido.

— Parado! — A voz metálica ecoou das paredes, vindo de todas as direções ao mesmo tempo.

Um drone emergiu da escuridão, pairando a poucos metros do grupo. As luzes vermelhas pulsavam num padrão agressivo, diferente da varredura calma dos anteriores. Era um drone de ataque.

Natália congelou. Os olhos se arregalaram por uma fração de segundo — tempo suficiente para Helena perceber que algo estava errado.

Ela reconheceu o modelo: um caçador autônomo. Carregava o mandado na memória e operava isolado da rede — não transmitia nada até cumprir a ordem.

— Código 734-Alfa-Ômega — disse Natália, tentando manter a voz firme. — Unidade de varredura especial. Relato de invasão no Setor 9. Sigo para averiguação.

O drone pairou em silêncio por um instante. Processando.

Então a voz veio. Fria. Definitiva. Burocrática.

Natália arremessando um disco neutralizador prateado contra o drone de ataque antes que ele dispare

— CÓDIGO 734-ALFA-ÔMEGA SERÁ ELIMINADO. NATÁLIA VARGAS. SENTINELA DESERTOR. VÍNCULO DE COMUNICAÇÃO ROMPIDO. MANDATO DE EXECUÇÃO IMEDIATA POR TRANSGRESSÃO CONTRA A GESTORA. ARTIGO 12, PARÁGRAFO 3, SUBSEÇÃO F. RESISTÊNCIA INÚTIL. PREPARE-SE PARA NEUTRALIZAÇÃO.

As palavras caíram como uma sentença de morte.

Helena sentiu o chão sumir. Sofia agarrou o braço de Bia. Clara prendeu o ar. Isa, mesmo paralisada, vasculhou o entorno — uma saída, uma proteção, qualquer coisa.

Mas Natália não esperou.

No segundo seguinte à última sílaba do drone, a mão já havia se movido. Rápida. Precisa. Natural como respirar.

Sacou do cinto um pequeno dispositivo — um disco prateado, do tamanho de uma moeda — e o arremessou contra o drone. O objeto colou na carcaça metálica no mesmo instante em que as luzes vermelhas começaram a pulsar mais rápido, preparando o ataque.

Um zumbido agudo. Um clarão azul. E então nada.

O drone caiu no chão como um pássaro baleado, as luzes se apagando num gemido elétrico. Fumaça fina subia dos circuitos queimados.

O silêncio voltou.

O grupo caminhando com naturalidade forçada por avenidas vigiadas por drones e SENTINELAS

Natália recuperou o disco, o neutralizador de pulso eletromagnético, e o guardou no cinto com a mesma naturalidade com que o sacou. O rosto estava pálido, mas os olhos, firmes.

— Estamos sem os meus acessos — disse, a voz baixa, controlada. — Precisamos redobrar os cuidados agora.

Olhou para o drone caído, depois para o céu, onde outros pontos luminosos já começavam a se deslocar na direção do ocorrido. Um caçador que se cala é, para o Sistema, um caçador que precisa ser procurado.

— Venham. Rápido. Antes que enviem mais.

Drones pairavam sobre avenidas inteiras, movendo-se inquietos, como predadores farejando um rastro. SENTINELAS monitoravam cruzamentos.

Helena puxou Sofia para perto, mas Natália disse:

— Olhos adiante. Caminhem naturalmente, sem chamar atenção.

E assim fizeram. Mas a cidade não parava de observar.

Natália caindo ferida no ombro ao empurrar Helena para fora da linha de tiro, Sofia gritando MÃE ao seu lado

Mal tinham dado vinte passos quando o ar rasgou.

Não houve voz metálica desta vez. Não houve sentença, nem aviso, nem o protocolo frio de identificação — o primeiro drone já cumprira esse papel, e o que veio agora não vinha para falar. Vinha para terminar.

O segundo drone mergulhou do alto como uma lâmina, a luz vermelha já carregada. Natália o ouviu um instante antes de vê-lo — e esse instante foi tudo. Girou o corpo num reflexo afiado por anos de treinamento, empurrando Helena para fora da linha de tiro. O feixe que teria atravessado seu peito rasgou-lhe o ombro.

Ela caiu.

O som que saiu de Sofia não foi um grito. Foi algo mais fundo, arrancado de um lugar que a filosofia nunca alcançou — o som de uma menina de cinco anos vendo a mãe ser levada pela segunda vez.

— MÃE!

A palavra que ela não conseguira dizer no apartamento, que tinha ficado presa na garganta entre a confusão e o medo, saiu agora inteira, sem muralha, sem pensamento. Sofia se jogou de joelhos ao lado de Natália, as mãos tremendo sobre o sangue que escurecia o tecido do ombro, sem saber onde tocar, com medo de piorar, com medo de não fazer nada.

— Não, não, não — repetia, e as lágrimas vinham sem que ela pudesse organizá-las, explicá-las, conter o caos delas. — Eu não sei o que fazer. Me ajudem, por favor, eu não sei o que fazer!

Era a primeira vez na vida que Sofia dizia aquelas palavras. Eu não sei.

Isa arremessando o disco neutralizador contra o segundo drone, destruindo-o antes do disparo final

O drone girou no ar, recalibrando para o disparo final. A luz vermelha encontrou o corpo caído de Natália.

E foi o desespero de Sofia — não o perigo, mas o som da amiga se partindo — que rompeu a paralisia de Isa.

Ela não pensou. Pensar era o que ela sempre fazia, e não havia tempo para isso. O corpo se moveu sozinho, com uma certeza que ela não sabia que tinha: tinha visto a Natália fazer aquilo minutos antes, tinha registrado cada detalhe sem perceber que registrava. A mão mergulhou no cinto da mulher caída, encontrou o disco prateado, e o arremessou contra o drone no mesmo arco exato que observara.

O disco colou na carcaça. Um zumbido agudo. Um clarão azul.

O drone despencou, morto antes de tocar o chão.

Isa ficou de pé, o braço ainda estendido, olhando para a própria mão como se ela pertencesse a outra pessoa. Não havia frieza nela agora. Havia apenas o tremor de quem acabara de descobrir, no fundo de si, uma coragem que sempre confundira com cálculo.

Natália ferida tocando o rosto de Sofia para tranquilizá-la enquanto Bia insiste que precisam continuar

— Sofia — Natália sussurrou, a voz fraca mas viva, a mão boa subindo para tocar o rosto da filha. — Estou aqui. Ainda estou aqui.

Sofia chorava sem nenhuma elegância, sem nenhuma sabedoria, sem nenhuma das camadas que a protegiam do mundo desde sempre — apenas uma filha agarrada à mãe que quase perdera de novo.

Bia se aproximou, a mão pousando no ombro de Sofia, a voz baixa mas firme cortando o momento com a urgência que ele exigia:

— A gente precisa continuar. É arriscado demais ficar aqui.

Sofia ergueu o rosto molhado. Por um segundo, a menina que sempre tinha as respostas e a menina que acabara de descobrir que não precisava tê-las foram a mesma pessoa.

E a cidade, ao redor, não parava de observar.

// Em Produção

O próximo capítulo ainda não foi publicado.

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