— Já me detectaram — murmurou Natália, os olhos percorrendo as ruas como uma jogadora de xadrez que antecipa os movimentos do oponente. — Venham. Rápido.
Puxou Helena pela mão e disparou em direção a um beco estreito, espremido entre dois arranha-céus de vidro escuro. As meninas correram atrás, os passos ecoando no chão metálico.
Atrás delas, o som de botas. Muitas botas.
— Eles já estão na nossa rua! — gritou Isa, olhando para trás.
Natália não respondeu. Fez um sinal brusco com a mão, ordenando silêncio, e as guiou por uma estreita passagem de serviço — canos expostos, vapor sibilando, cheiro de óleo queimado e de algo podre. O tipo de lugar que a cidade perfeita escondia em suas entranhas.
— Agora! — empurrou todas para dentro de um nicho escuro, atrás de uma tubulação gigante.
Apertaram-se, prenderam a respiração. As botas passaram tão perto que Clara pôde ver as fivelas metálicas reluzindo na penumbra. Um dos SENTINELAS parou. Inclinou a cabeça, como um cão farejando. O visor escuro varreu o beco, passando centímetros acima do esconderijo.
Clara apertou os olhos. Bia segurou o próprio braço com tanta força que as unhas marcaram a pele. Isa, encostada na parede, parecia uma estátua. Até Nexxus — escondido na mochila de Bia — permaneceu imóvel, os olhos reduzidos a duas frestas azuis.
O SENTINELA emitiu um som estático, como se comunicasse com alguém. Depois, continuou.
Só respiraram quando o som das botas se perdeu ao longe.