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Capítulo 20 · A Mãe Cap. 21 ▶▶
Natália segura instintivamente a mão de Sofia num gesto de carinho, e todas percebem que aquele não é o comportamento comum de um SENTINELA.
// Apartamento de Helena

Sofia tentou dar um passo em direção ao sofá. Antes que as outras pudessem reagir, Natália a segurou pela mão — rápido, instintivo, quase automático. Um gesto que não combinava com um SENTINELA. Um gesto de carinho e cuidado.

Helena percebeu. Todas perceberam.

Sofia foi conduzida até o sofá, onde Helena acomodou uma manta sobre as pernas dela. Clara correu para pegar um copo de água — Isa havia deixado um preparado duas horas antes, ainda sobre o balcão, mas Clara pegou um novo, fresquinho, e o levou para Sofia.

Bia ficou de pé ao lado delas. Sofia respirou fundo, olhando em volta, mal acreditando que estava ali.

— Eu achei que nunca mais ia ver vocês — disse, a voz saindo engasgada.

Helena segurou a mão dela com firmeza, os olhos brilhando.

— Você voltou pra gente. Se não viesse, a gente te buscaria!

Sofia sorriu. O tipo de sorriso que só alguém que voltou da beira do abismo consegue dar.

Com Sofia adormecida no ombro dela, Helena vê Natália parada perto da porta e se levanta devagar para ir até ela; Natália endireita a postura, rígida.

Quando Sofia finalmente adormeceu, encostada no ombro de Helena, o silêncio no apartamento voltou.

Já não era tenso, nem vazio, nem sufocante — era o silêncio de um coração tentando se recompor após ter sido quebrado.

Helena ergueu os olhos e encontrou Natália parada perto da porta, imóvel, como se quisesse evitar interferir naquele momento precioso. Por um segundo, parecia tão desconfortável quanto vulnerável.

Helena se levantou devagar, para não acordar Sofia, e caminhou até ela.

Natália endireitou a postura — rígida, como sempre fazia quando se preparava para ouvir algo difícil.

Helena para diante de Natália, junto à porta, e a chama de mãe pela primeira vez sem raiva; Sofia dorme no sofá ao fundo.

Mas Helena parou diante dela, respirou fundo e disse com a voz baixa, firme, sem tremor:

— Mãe…

Natália piscou freneticamente, o rosto se desfazendo por dentro.

Era a primeira vez que Helena pronunciava aquela palavra sem raiva, medo ou dúvida — apenas verdade.

— Vem com a gente.

De pé, perto da porta, Helena dá mais um passo e pede que Natália vá com elas até Amy; Natália desvia o olhar, dizendo que é uma dissidente declarada, enquanto Isa, Clara, Bia e Nexxus observam.

Isa olhou rapidamente para as duas. Clara levou a mão ao peito. Bia estava atenta e surpresa. Até Nexxus inclinou a cabeça, parecendo um gato curioso.

Natália abriu a boca — mas nenhuma palavra saiu.

— A gente vai até a Amy — disse Helena, dando mais um passo. — Depois, até Élida e quem mais puder ajudar. — Olhou nos olhos de Natália. — A gente precisa de você lá.

Natália desviou o olhar por um momento.

— Sou uma dissidente declarada — murmurou. — Vão me caçar. Vão caçar vocês. Estarão em risco comigo.

Helena, com um sorriso triste, convida Natália a lutar ao lado delas; Clara enxuga as lágrimas, Isa endireita os ombros e Bia sorri.

Helena deu um pequeno sorriso triste, quase cansado:

— Eles já tão caçando a gente, mãe. A diferença é que agora… a gente não quer fugir. A gente quer lutar.

Os olhos de Natália brilharam. Clara enxugou as lágrimas. Isa endireitou os ombros, pronta. Bia sorriu — como quem diz venha o que vier.

— Vou falar com Amy. Ela tem um plano, e precisamos chegar até ela. Ela pediu pra falar com você — tem algo que quer te dizer, caso você aceitasse vir com a gente.

A sala inteira parecia esperar a resposta de Natália.

Ela soltou o ar — como quem cede a um peso carregado desde sempre. E então disse:

— Está bem, filha. Eu vou com vocês.

Helena e Natália se abraçam com carinho, selando a decisão de seguirem juntas até Amy.

Helena sorriu e abraçou Natália com carinho, sabendo que aquele gesto carregava mais do que perdão — carregava decisão. Natália a envolveu nos braços. Não como SENTINELA. Nem como fugitiva. Mas como mãe.

Quando se afastaram, Helena falou:

— Farei a comunicação com Amy e já te coloco em contato com ela.

Natália assentiu — e, pela primeira vez, a mulher que o Sistema moldou parecia ter escolhido o próprio lado.

Na manhã seguinte, com a luz entrando pela janela, Natália verifica o exterior pelo visor da porta enquanto Sofia, recuperada, pergunta o que acontece se o Sistema a pegar.
// Apartamento de Helena · Manhã Seguinte

No dia seguinte, Sofia despertou devagar — recuperada, visivelmente mais forte. A luz da manhã entrava pela janela, desenhando sombras pela sala.

Natália verificava o exterior pelo visor da porta.

— Está piorando lá fora — murmurou. — A Gestora já aumentou o patrulhamento.

— A essa altura, já devem saber que você rompeu com eles. A Gestora deve tá furiosa — Isa esfregou as mãos.

Sofia abaixou o olhar, desconfortável, e perguntou, ajeitando os óculos:

— O que acontece se o Sistema te pegar, Natália? Subnível?

Clara aperta os fones do mp3 contra os ouvidos enquanto Natália responde, sombria, sobre o destino dos desertores; Bia estuda o mapa da cidade.

Clara apertou os fones contra os ouvidos, o volume do mp3 abafando não só os ruídos externos, mas a própria possibilidade de ouvir a resposta. Natália mediu cada palavra antes de responder.

— Não tem Subnível pra ex-SENTINELAS. Isso seria um paraíso perto do que acontece com desertores.

Bia estudava o mapa da cidade, elaborando trajetos de retorno rápido ao apartamento. Helena sentou-se ao lado de Sofia.

— Nunca imaginei que você passaria por isso — disse, quase em sussurro.

Sofia devolveu um leve sorriso. A mente buscou imediatamente a imagem de Daniel, e uma lágrima desceu silenciosa pelo rosto.

Natália fecha o visor e se afasta da porta; ao limpar a garganta, todos os olhares se voltam para ela, que anuncia a Helena ter algo muito importante a dizer.

Natália fechou o visor e se afastou da porta.

— Amy já falou com você, Helena?

— Não. Quando tudo estiver pronto, ela enviará mensagem por intermédio de Nexxus. Só nos resta esperar.

Natália sabia que não poderia mais guardar o segredo.

Aquele parecia ser o momento certo — talvez o único em que todas estariam juntas, vulneráveis e, ao mesmo tempo, suficientemente fortes para ouvir. Limpou a garganta — um som pequeno que cortou o silêncio aconchegante do apartamento. Todos os olhares se voltaram para ela quase ao mesmo tempo.

— Helena… — a voz saiu mais baixa do que pretendia, tremendo na primeira sílaba. — Tenho algo muito importante a dizer. Para você. Para todas vocês. E precisa ser agora.

Natália pede que todas se aproximem; as meninas e Helena formam um semicírculo à volta dela, atentas.

Fez um gesto delicado com a mão, pedindo que se aproximassem. Helena, ainda sentada ao lado de Sofia, demorou menos de um segundo para se levantar. Isa descruzou os braços e deu alguns passos à frente. Clara tirou os fones com cuidado, como se o som da voz de Natália merecesse silêncio absoluto. Bia permaneceu de pé, atenta — quase em posição de combate emocional. Até Nexxus ergueu a cabeça, os olhos azuis fixos no ex-SENTINELA.

Natália olhou ao redor. Os ombros, quadrados de anos de disciplina militar, pareciam, pela primeira vez, frágeis.

— Não sei por onde começar… então vou apenas começar.

Natália confessa que foi ela a primeira viajante do tempo, enviada aos 22 anos usando o protótipo ainda sem nome do SDR.

Abaixou os olhos por um instante, como se procurasse forças no chão. Depois os ergueu, fixando-se principalmente em Helena.

Natália fez uma revelação que surpreenderia até mesmo Amy.

Com o olhar determinado, começou a contar.

— A primeira viagem no tempo baseada no SDR não foi essa, feita pelas meninas. Ela aconteceu bem antes do que pensam.

Fez uma breve pausa, respirou fundo e continuou:

— Tudo começou no ano de 2138, com o envio de uma viajante do tempo usando o protótipo do SDR, que ainda não possuía um nome.

Todas estavam atentas às palavras de Natália. A respiração delas era tão densa que parecia sugar o ar da sala.

— Eu era essa viajante. Tinha 22 anos — confessou.

Helena piscou, confusa. Sofia, que acabara de despertar com o tom grave da voz, ajeitou os óculos devagar, sem entender ainda.

Natália revela que viveu cinco anos presa no passado ao lado do pai de Sofia, Gustavo, e que foi ali que sua filha nasceu.

Natália continuou, agora com a voz mais firme — como quem decide atravessar um campo minado sem olhar para trás.

— Fui para o ano de 2012 em uma viagem experimental. A missão duraria apenas 48 horas no passado. Mas quando cheguei… tudo deu errado. A máquina sofreu uma falha estrutural logo depois do salto. Percebi que não havia sinal de recall. Era uma falha grave. E acabei ficando… durante cinco anos.

Os olhos de Natália encontraram os de Sofia. Por um segundo, a máscara de SENTINELA se dissolveu por completo.

— Foi nesses cinco anos que conheci o pai de Sofia. Gustavo. Nós nos apaixonamos. Vivemos como uma família. E então… ela nasceu. 15/10/2012.

Um som abafado escapou de Helena — meio suspiro, meio soluço preso. Os olhos foram de Natália para Sofia, e de volta para Natália, procurando sentido.

Natália, de olhos marejados, conta que foi arrancada à força de 2012 e levada de volta a 2138, onde para os outros haviam se passado apenas alguns minutos.

— Eu não queria mais voltar. No entanto, eles consertaram a falha e me localizaram, me arrancaram de lá à força. Lutei, gritei, implorei… mas fui levada de volta. Voltei para 2138. Enquanto para mim tinham se passado cinco anos inteiros, para eles, apenas alguns minutos.

Natália engoliu em seco.

Flashback em sépia: Natália, aos 22 anos, destrói em desespero a máquina do laboratório onde funcionava o protótipo do SDR.

— Eles disseram que o projeto não seria continuado. Quando percebi que nunca mais poderia voltar, que nunca mais veria o homem que eu amava, nem a minha filhinha… eu surtei e quebrei a máquina. Sabotei o laboratório. Causei um acidente proposital. Fiz parecer que as pesquisas tinham sido destruídas, que eu mesma tinha morrido na explosão. A Gestora não percebeu a farsa. Ela própria cuidou de encerrar o projeto — apagou todos os vestígios desse trabalho, baseado nas pesquisas do professor Elias Vidal. Os cientistas foram enviados para o Subnível.

O projeto foi enterrado, esquecido. E eu… desapareci do mapa. Para a Gestora, eu nunca fui Natália. Era um código de cobaia. Quando o código morreu no acidente, eu morri junto. Natália Vargas só existe no registro da Prefeitura — e quem cuida desse registro é Adolfo.

Ela fez uma pausa longa. Os dedos tremiam levemente.

Natália lembra ter entregado em segredo o Interact com as pesquisas do professor Elias Vidal a uma menina fascinada por ciência numa biblioteca.

— Antes de provocar o acidente, eu havia transferido todo o conteúdo do trabalho do professor Elias para um Interact. Carregava comigo, para onde quer que eu fosse. Um dia na biblioteca, percebi uma menina de aproximadamente 14 anos, fascinada com estudos sobre ciências e as teorias sobre o tempo. Aproximei-me dela, como se eu fosse uma auxiliar daquele lugar, e indiquei os trabalhos do professor Elias Vidal. Expliquei que seus trabalhos poderiam não ser bem vistos pelo Sistema e que ela deveria estudar em segredo. Dei o Interact para ela e pedi que não revelasse o conteúdo para ninguém. Ainda consigo me lembrar dos olhos dela brilhando de admiração. Ela me agradeceu e levou o presente consigo. Eu havia plantado uma pequena semente.

Parou, suspirou. Ninguém ousava interrompê-la.

Natália olha para Sofia e revela a verdade que ninguém esperava: Helena e Sofia, nascidas em tempos diferentes, são irmãs.

— Depois disso, no ano seguinte, em 2139, casei-me com seu pai, Helena. Pouco tempo depois, já em 2140, você nasceu. Você é minha filha… do futuro. Mas Sofia…

Natália virou o rosto devagar para a menina de óculos, que a encarava com os olhos arregalados, o queixo tremendo.

— Sofia é minha filha também. Do passado. Do tempo que roubei para viver livremente. Vocês duas… são irmãs.

O silêncio que veio em seguida foi ensurdecedor.

Helena leva as mãos à boca em lágrimas, Sofia empalidece, e Natália, com a voz falhando, explica por que nunca pôde contar que estava viva.

Helena levou as mãos à boca. Lágrimas começaram a escorrer antes mesmo de ela perceber.

Sofia, pálida, olhava para Natália como se tentasse encaixar todas as peças de uma vida inteira que, de repente, fazia um sentido aterrorizante e maravilhoso ao mesmo tempo.

— Eu nunca pude te contar, Sofia… — a voz de Natália falhou pela primeira vez. — Você cresceu achando que sua mãe tinha desaparecido. Que seus pais tinham se separado. Seu pai foi preso por um crime que ele nunca cometeu: o meu desaparecimento. E eu… não podia aparecer. Se aparecesse, se a Gestora descobrisse que eu ainda estava viva, que a viagem no tempo tinha funcionado… te caçariam e te destruiriam para me atingir.

Helena envolve Sofia, que chora baixinho, num abraço apertado — duas irmãs que acabam de se descobrir.

Sofia começou a chorar baixinho, os ombros sacudindo. Helena, sem pensar, envolveu a amiga — a irmã — num abraço apertado. As duas se seguraram como se o mundo pudesse desabar a qualquer segundo.

Natália deu um passo na direção delas.

— Não pude acompanhar você, Sofia. Perdi cada passo seu, cada conquista, cada alegria, cada dor… perdi tudo. — A voz baixou. — Até que eu vi você na praça, no primeiro dia. Achei que estava enlouquecendo. Depois veio a ordem: investigar uma anomalia no setor 12. O bracelete da Helena dizia que vocês estavam lá. Se a patrulha chegasse sem mim, levaria todas. Então fui junto. Fiz o que pude. Lutei. Enganei o Sistema… por vocês duas.

Helena ergue o rosto, os olhos vermelhos, e diz que elas sempre foram família; Natália assente, e Isa, sem palavras, murmura apenas: Caramba.

Helena ergueu o rosto, os olhos vermelhos, brilhantes.

— Então… a gente sempre foi família. De verdade.

Natália assentiu, a voz rouca.

— Sempre fomos. Eu só… não podia dizer. Até agora.

Isa, que raramente ficava sem palavras, murmurou apenas:

— Caramba…

Natália olha para as duas filhas, uma de cada tempo; Clara enxuga as lágrimas e Bia não sabe o que fazer com as mãos.

Clara enxugava as lágrimas sem parar. Bia, pela primeira vez em muito tempo, não sabia o que fazer com as próprias mãos. Natália olhou para as duas filhas — uma de cada tempo — e falou, quase num sussurro:

— Sei que é muito para processar. Sei que vocês podem me odiar por não falar antes, por desaparecer, por deixar vocês acharem que estavam sozinhas. Mas preciso que saibam: tudo o que fiz, cada escolha, cada risco… foi por amor a vocês. Sempre foi.

— Seu pai, Helena, me ajudou a tornar-me SENTINELA, para podermos proteger você. Ele sabia sobre Sofia — contei para ele logo que nos conhecemos. Me ajudou a ter uma nova vida. Não precisei mudar o nome; para a Gestora somos apenas códigos numéricos. Ele me ajudou a ter um novo código de identidade. Eu amo muito vocês, filhas.

Abriu os braços — com medo de ser recusada.

Helena e Sofia se juntam num único abraço com Natália, as três finalmente unidas como a família que sempre foram, apesar do tempo que as separou.

Helena foi a primeira. Soltou Sofia com cuidado e caminhou até Natália. Abraçou-a com força, como quem abraça uma mãe pela primeira vez após uma vida inteira de saudade.

Sofia, ainda tremendo, se levantou devagar. Caminhou os poucos passos que as separavam. E então, calorosamente, se juntou ao abraço.

Três corações. Dois tempos. Uma única família.

Quando se afastaram, Natália enxugou o próprio rosto com as costas da mão — um gesto tão humano, tão distante do SENTINELA que costumava ser.

— Agora que vocês sabem… — disse, a voz mais firme — precisamos ir até Amy. Logo ela fará contato. E o que vem pela frente… vamos enfrentar juntas.

Helena olhou para Sofia, depois para Natália. Sorriu com lágrimas escorrendo pela face.

— Mãe, a gente vai ficar sempre juntas.

E, pela primeira vez em muito tempo, a palavra soou como uma promessa que ninguém mais poderia quebrar.

Sofia confessa, confusa e emocionada, que não sabe o que sentir, e Natália a acolhe com ternura pedindo que foquem na missão que têm pela frente.

Sofia, no entanto, não sabia definir o que estava sentindo. Olhou nos olhos de Natália e, com a voz quase falhando, disse:

— Eu não a reconheci, mãe… Eu me sinto feliz, mas ao mesmo tempo confusa. Não sei o que falar…

Natália, com carinho, interrompeu.

— Não se preocupe, filha. Eu compreendo. Não diga nada. Concentre-se na missão. Precisava que vocês soubessem — e agora sabem. Vamos focar no que temos que fazer.

Mãe e filhas se abraçaram mais uma vez. Ainda naquele dia seria o encontro com Amy; precisavam aproveitar a espera para descansar.

Horas depois, no apartamento silencioso: Helena lê um relatório no painel da parede, Bia revisa um caderno digital, Clara ouve o mp3 de olhos fechados e Sofia toma chá encostada na parede.
// Apartamento de Helena · Horas Depois

As horas se arrastaram. O apartamento estava em silêncio; todos esperavam o sinal de Amy. Helena lia um relatório no painel da parede. Bia revisava um caderno digital. Clara ouvia o mp3 com os olhos fechados. Sofia tomava chá encostada na parede.

Isa apoia a testa no vidro da janela, braços cruzados e ombros tensos, enquanto Natália se aproxima em silêncio.

Isa estava na janela. Não olhava a cidade. Apoiava a testa no vidro, os braços cruzados, os ombros tensos. Natália se aproximou da janela, sem ser notada. Ainda vestia o uniforme preto, agora sem o peso de antes, mas a postura continuava a de um SENTINELA.

— Isa — chamou, com voz baixa. — Preciso que você verifique algo para mim.

Isa virou-se.

— O quê?

— Os últimos registros que guardei do meu bracelete, antes de destruí-lo. Enquanto eu ainda tinha permissão, copiei os logs. Quero que você cruze com as rotas que faremos — veja se há correspondência exata. Vamos descobrir o caminho mais seguro para chegarmos até Amy.

— Por que eu?

— Para que você aprenda a usar essa estratégia — disse Natália. — Você consegue ver padrões onde os outros veem números. Com o treinamento certo você seria um bom SENTINELA.

// Em Produção

O próximo capítulo ainda não foi publicado.

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