O apartamento da Helena estava mergulhado num silêncio denso — apenas o zumbido imperceptível dos filtros de ar quebrando a quietude. Após a higienização na Câmara de Higienização Molecular e algumas horas de descanso agitado, a exaustão física havia diminuído, mas a ansiedade mental continuava em alerta vermelho, pulsando nas têmporas de cada uma delas. Helena andava de um lado para o outro na sala, verificando o bracelete digital repetidamente. Os passos eram abafados pelo piso inteligente, mas a tensão nos ombros gritava. Ela parou diante das meninas, sentadas no sofá como estátuas de luto, os olhos ainda inchados pelo choro recente.
— Eu preciso ir — anunciou, a voz carregada de uma urgência que não admitia réplicas.
Bia se endireitou imediatamente, o instinto de proteção assumindo o controle. Esfregou o antebraço.
— Ir? Pra onde? Não podemos sair lá fora. A cidade tá caçando a gente.
— Vocês não podem — corrigiu Helena, suave, mas firme. — Eu preciso. Tenho que procurar Élida. Ela precisa confirmar como o bracelete foi comprometido e limpar os rastros digitais que deixamos. Só ela tem a criptografia necessária pra bloquear o rastreio da Gestora novamente.
Clara, encolhida no canto do sofá, ergueu o rosto trêmulo.
— Vai nos deixar sozinhas?