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Capítulo 18 · Os Tracks Cap. 19 ▶▶
Helena, à espera dos resultados no laboratório de Élida, mergulha na memória de um encontro antigo contado por Amy.

Enquanto isso, no laboratório de Élida, Helena esperava.

Para não pensar no que a análise do bracelete podia revelar, deixou os olhos correrem pelas bancadas — e parou num tanque de ar, no canto da sala, onde uma forma luminosa deslizava mudando de cor.

Um Track.

Amy tinha lhe contado, anos antes, como eles haviam surgido.

Flashback de 2150, na sede da Dissidência: no laboratório caótico e vivo de Élida, Amy sorri cercada por Nexxus e pelas três NEUROTÁQUIONS, enquanto Élida, radiante, chama a atenção do grupo para sua criação mais recente.
// Flashback · 2150, Sede da Dissidência

2150 — SEDE DA DISSIDÊNCIA

O laboratório de Élida era um santuário de tecnologia — caótico, no melhor sentido da palavra. Não a ordem estéril da Gestora, mas a ordem viva da criação.

Amy, a “arquiteta”, sorria. Estava cercada pelos aliados: Nexxus e as três NEUROTÁQUIONS — Hannes, Pideya e Skouter — além de Élida, a bioengenheira que se juntara à causa alguns anos antes. Élida estava radiante, carregando a energia de quem acabara de desvendar um segredo da natureza. Chamou a atenção do grupo para a criação mais recente.

Flashback de 2150: Élida, radiante, apresenta a Amy uma grande máquina de cristal e titânio, cercadas por Nexxus e pelas três NEUROTÁQUIONS.

— Amy, esta é a minha mais nova invenção — disse, virando-se para uma máquina grande que parecia uma fusão elegante de cristal e titânio. — Este equipamento cria vida artificial a partir de carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, luz e energia.

Era um impressor de vida.

Os seres gerados ali eram programados para se adaptar a qualquer ambiente e realizar tarefas benéficas. Pideya, a NEUROTÁQUION da Memória, condensou a forma luminosa sobre a máquina, absorvendo o fluxo de dados em silêncio.

Hannes questiona os limites da invenção de Élida enquanto Skouter observa, fascinada pelo potencial de reverter a distopia da Gestora.

— Ela está apta a restaurar o meio ambiente, purificar o ar, melhorar as condições de vida das comunidades, eliminar patógenos ou qualquer outro agressor da saúde nas áreas negligenciadas pela Gestora — explicou Élida.

Hannes, mais cética, se aproximou:

— Mas qual é o limite dessa programação, Élida?

— O limite é a própria vida — respondeu ela, os olhos brilhando. — Essas criaturas são capazes de regenerar qualquer tipo de organismo vivo… inclusive o humano. Além disso, podem ajudar na recuperação de ecossistemas inteiros, purificando o ambiente e até criando novos tipos de alimentos orgânicos sem agredir a natureza.

Skouter, a Guardiã, parecia particularmente atenta. A missão dela era preservar a ordem, mas enxergava na invenção de Élida o potencial de reverter a distopia criada pela Gestora.

— A ideia é que, em vez de consumirmos os recursos naturais de forma predatória, possamos criar organismos que façam o trabalho de reposição, manutenção e preservação. Podem ser cultivados e programados para limpar oceanos, restaurar florestas ou atender qualquer outra necessidade ambiental — completou Élida.

Élida sorri ao batizar sua máquina de Μονοπάτι por sugestão de Amy, enquanto uma criatura luminosa parecida com uma medusa flutua no tanque abaixo.

Virou-se para Amy, buscando aprovação, e sorriu.

— Ainda não tive tempo de pensar em um nome para o equipamento.

— Que tal Path? — sugeriu Amy, sorrindo também.

— Obrigada, Amy! Vou chamá-lo de Μονοπάτι — monopáti — que é a mesma coisa em grego — completou Élida, fazendo uma leve reverência de agradecimento.

Amy se aproximou e observou um dos organismos artificiais que flutuava no tanque abaixo da máquina — semelhante a um aquário de ar. Era uma forma luminosa, parecida com uma medusa, que mudava de cor enquanto se movia.

Amy sugere o nome Tracks para as pequenas formas luminosas que deixam rastros de cor no ar, selando o destino discreto daquelas criações.

— Como você acha que deveríamos chamá-los? — perguntou Élida.

— Tracks combina muito bem com eles — respondeu Amy. — Porque deixam vestígios de cores no ar enquanto deslizam.

— Mais uma sugestão aceita. Ίχνη — íxni — disse a bioengenheira, os olhos brilhando de satisfação.

Aquele encontro selou o destino dos Tracks: não seriam uma arma direta contra a Gestora. Élida tinha outro objetivo — mas naquele dia, ninguém imaginava o quanto aquelas pequenas formas luminosas seriam significativas no futuro.

O Track mudou de cor outra vez, e Helena voltou ao presente. Era por histórias como aquela que confiava em Élida sem reservas — e era por isso que a espera doía tanto.

Élida, debruçada sobre o bracelete de Helena preso a um suporte óptico, revela que a frequência não sofreu uma falha, mas uma invasão consciente.
// Laboratório de Élida · Presente

No laboratório, o ambiente era técnico, quase hospitalar: paredes brancas e estéreis, cheias de luz fria. O silêncio era de concentração cirúrgica. Élida — uma mulher elegante, com cabelos prateados presos num coque firme e jaleco impecável — estava debruçada sobre uma mesa que irradiava luz suave, examinando o bracelete preso a um suporte óptico.

— A frequência não está apenas desregulada, Helena — murmurou, sem tirar os olhos do scanner. A voz tinha a precisão de um algoritmo. — Foi hackeada. E não foi um glitch de sistema. Foi uma invasão consciente.

Helena sentiu um arrepio gélido percorrer a espinha.

— Eu suspeitava... mas esperava estar errada. Eu o projetei para ser impenetrável! O sistema de proteção é derivado do SDR, Élida!

Élida puxa uma cadeira e faz Helena se sentar diante da mesa luminosa onde o bracelete está preso ao suporte óptico.

Élida respirou fundo, puxou uma cadeira e forçou Helena a se sentar.

— O código é seu, Helena. Mas a base de segurança que você usou — a raiz — é mais antiga. Foi desenvolvida para um projeto anterior. Quem fez isso tem acesso ao código primário.

Élida explica a Helena que apenas um acesso mestre poderia ter comprometido o código, alguém com conhecimento vindo de dentro.

— Isso é impossível! Só Amy e eu temos esse conhecimento!

— Não é. — Élida fez uma pausa, fixando o olhar em Helena. — O acesso mestre foi usado. É uma chave especial — uma sofisticação que só vem de dentro. Alguém mais tem esse código.

O pânico começou a se instalar em Helena.

— Quem seria essa pessoa? Você consegue bloquear, certo?

— Sim, já está limpo. Os rastros foram apagados. Agora você está segura.

Helena pergunta, aflita, se os equipamentos das meninas também foram comprometidos, e Élida garante que os projetou sem reaproveitar códigos.

— E o Hollo-Lens, os braceletes e os colares das meninas? São mesmo seguros? — perguntou Helena.

— Completamente. Eu os projetei sem reaproveitamento de códigos.

— Isso me serviu de lição. Uma dura lição — lamentou Helena.

Élida detecta no console duas violações de segurança no apartamento de Helena, causadas por uma decisão do próprio Nexxus.

— Já está corrigido — disse Élida. — Mas estou detectando um novo problema.

Voltou-se para o console; os dedos voaram sobre os controles.

— O sistema de rastreamento acabou de detectar outras falhas. Não é o hack. É uma violação de segurança do apartamento. Na verdade, foram duas violações.

Helena se levantou bruscamente, derrubando a cadeira.

— O quê? Eu tranquei tudo! Como?

— Houve entradas e saídas por pessoas que receberam acesso recente: Clara e Isa.

— Como isso aconteceu?

— Uma brecha interna. Nexxus liberou os acessos. — Élida se virou, a urgência no rosto real e imediata. — Você precisa voltar para lá agora!

Élida garante a Helena que os circuitos de Nexxus estão normais e a manda voltar imediatamente ao apartamento usando seu carro.

— Ele teve uma pane? Uma falha?

— Não foi falha — foi decisão. Do ponto de vista lógico, ele estava certo. Os circuitos do gato não mostram avarias nem conflitos.

A estrutura sistêmica de Nexxus estava normal.

Helena arregalou os olhos, o espanto gelando as veias.

— E agora? O que faremos?

— É melhor você verificar pessoalmente. Use o meu carro — vai ser mais rápido. O Hollo-Lens está limpo agora. Vá!

Helena saiu correndo do laboratório. O tempo estava contra ela.

Isa atravessa sozinha a Zona Integrada, fervilhante de drones e pedestres sincronizados, a caminho do Setor Governamental, com a foto antiga de Natália apertada contra o peito.
// Setor Governamental · Zona Integrada

Isa saiu do apartamento com a certeza de que estava tomando a decisão certa. A segurança de Sofia era a única prioridade. O plano? Tão absurdo que poderia funcionar: encontrar Natália, a mãe de Helena, ir até o Subnível e salvar Sofia. Quando saiu, o bipe da porta de segurança soou, selando a traição silenciosa à confiança de Bia e Nexxus.

Isa usava a foto antiga — a imagem da jovem Natália — como um amuleto frio contra o peito. Dirigiu-se ao Setor Governamental, a área mais vigiada e a mais provável de encontrar um SENTINELA patrulhando. A Zona Integrada fervilhava de drones, e o ritmo de Isa era frenético. Ela não caminhava — caçava. Desviou-se de robôs de limpeza e de pedestres sincronizados, sentindo-se um grão de areia rebelde numa máquina de precisão.

O colar dado por Helena a protegia do rastreio passivo, mas nada a protegia de ser notada pelo olhar clínico de um agente da Gestora.

Numa praça central da Zona Integrada, Isa avista um SENTINELA imóvel, de preto e gola alta, sondando a multidão; ela aperta a foto antiga contra o peito.

Isa vasculhou o local com o olhar até que, numa praça central, viu. Imóvel, alto, vestido de preto da cabeça aos pés, com a gola alta e a postura impecável que definia a autoridade — um SENTINELA. Os olhos sondavam a multidão com lentidão metódica, quase hipnótica. Era como assistir a uma estátua da lei ganhar vida.

O coração de Isa disparou — não de medo, mas de adrenalina. Começou a se aproximar, o plano maluco pulsando nas veias. A presença do SENTINELA era esmagadora. Isa pressionou os braços contra o tronco, franzindo a testa.

— Preciso que ele me veja — murmurou, apertando a foto.

Ia se desviar da rota calculada dos pedestres — um ato que por si só era uma anomalia — quando sentiu um zumbido agudo, penetrante, que não vinha do SENTINELA à frente.

Um raio ultrassônico invisível atinge a nuca de Isa, paralisando seus músculos e fazendo a foto escorregar de seus dedos.

PZZZT!

Um raio ultrassônico invisível atingiu o lado da nuca. Não doeu — a paralisia foi instantânea. Os músculos travaram, e a foto escorregou dos dedos. O mundo parou, girando numa espiral turva de sons distantes. Isa não caiu. Foi segurada.

Natália surge de um ponto cego e arrasta Isa, paralisada, para a entrada escura de um edifício abandonado, olhando rapidamente para os lados.

A figura que surgiu ao lado dela era Natália — o SENTINELA que procurava — vinda de um ponto cego que Isa não havia mapeado. Alta, imponente, envolta no uniforme preto do Comando de Ordem Pública. Natália a arrastou para a entrada escura de um edifício abandonado e olhou rapidamente para os lados, a observação rápida e precisa, garantindo que não fossem notadas.

— Você ainda não tem a habilidade necessária para isso, garota — sibilou a voz, baixa e feminina.

— O que você vai fazer comigo? — Isa tentou falar, mas a mandíbula mal se movia.

— Quero evitar que você cometa suicídio e coloque todo o plano em risco — respondeu Natália, a voz cortada pela urgência. — Nenhuma de vocês pode ser capturada!

Natália deita Isa, paralisada, no chão empoeirado de um edifício abandonado, escondida atrás de um contêiner de reciclagem molecular.

Ajustou o corpo paralisado de Isa, deitando-a cuidadosamente no chão empoeirado, escondida pela sombra de um contêiner de reciclagem molecular.

— Você está sendo muito ingênua, procurando um SENTINELA. Eu a vigiava, Isa. Desde que você saiu do apartamento.

Natália se ajoelhou ao lado dela, os olhos fixos no rosto paralisado.

— Tenho informações sobre Sofia. E sobre Helena. Mas não posso falar aqui. Você vai descansar agora. E quando acordar… vamos conversar.

Tocou suavemente a testa de Isa, e a hipnose suave e definitiva a atingiu. Isa, lutando contra o sono, viu Natália se afastar alguns passos, apoiada na parede do edifício.

O SENTINELA era a única coisa visível naquele beco. O último pensamento de Isa foi de alívio:

— Plano maluco ou não, funcionou. Ela me pegou. Encontrei Natália.

Bia e Nexxus correm pela periferia da cidade, seguindo o mapa holográfico na palma da mão de Bia em direção ao rastro de Clara.
// Jardim Analógico · Ruínas

Enquanto Isa era silenciada no centro, Bia e Nexxus disparavam pela periferia, seguindo o mapa holográfico projetado pelo gato.

O rastro sináptico de Clara levava ao Jardim Analógico — o mesmo lugar que havia sido palco da tragédia da captura de Sofia.

— Nexxus, você tem certeza da rota? — Bia verificou o mapa holográfico na palma da mão. Esfregou o antebraço.

— A probabilidade de detecção é 78%. A de resgate é 95%. Estou operando no algoritmo de Risco Aceitável — respondeu Nexxus, a voz fluida enquanto corria ao lado dela.

Bia e Nexxus chegam ao fim da estrada de serviço, onde a cidade cede espaço ao matagal e às ruínas do Jardim Analógico; o mapa holográfico brilha na palma de Bia.

Chegaram ao trecho final da estrada de serviço, onde a cidade cedia espaço ao matagal. A trilha era a mesma que as levara ao acampamento. O rastro de Clara terminava ali.

— Ela está perto da entrada do vale — Nexxus informou, o olho azul piscando com a coordenada exata.

Bia engoliu em seco.

— Quando a Gestora decide, o dia simplesmente acaba e a varredura começa. Precisamos nos apressar.

Bia parou, ofegante. O Jardim Analógico estava em silêncio absoluto — nenhum sinal de SENTINELAS, mas também nenhum sinal de vida. Apenas ruínas.

— Não posso ser vista à distância. Se ela me ver, vai se afastar ainda mais. Preciso de um carro.

— O Sistema pode detectar qualquer carro circulando neste setor — alertou Nexxus.

Bia se lembra da caminhonete de Antonio, e Nexxus projeta em seu braço um ícone que a localiza a cinquenta metros, junto à boca de um túnel de serviço coberto de galhos.

— Nem todos! Tem um por perto. Eu me lembro! — Bia olhou em volta, tentando conectar as memórias fragmentadas da fuga. — Antonio… a caminhonete dele! Helena a abandonou na entrada do túnel. Se estiver lá, ainda deve ter biodiesel!

Nexxus processou a informação e, num segundo, uma nova projeção surgiu no braço de Bia — um ícone de caminhonete, a apenas cinquenta metros, perto da boca de um túnel de serviço coberto por galhos.

— Encontrei. Está ali.

Bia afasta os galhos e encontra a velha caminhonete a biodiesel, coberta de poeira e musgo, com a chave ainda na ignição.

Bia correu até o local, afastando os galhos. Lá estava ela — a caminhonete biodiesel, pesada, com o metal oxidado coberto de poeira e musgo. A chave continuava na ignição, esquecida por Helena na pressa da fuga.

Pela primeira vez naquela tarde, a sorte estava do lado dela.

Bia sentou-se ao volante, as mãos firmes no aro gasto.

— Clara deve tá se culpando. Preciso chegar rápido, antes que os SENTINELAS voltem — murmurou, sentindo o peso de liderar.

O motor antigo tossiu fumaça preta e, com um ronco estrondoso que parecia debochar da cidade silenciosa, ganhou vida.

— Vamos. Guie-me, Nexxus. Não vou perder mais ninguém.

No beco, Natália tira do pulso o bracelete de comunicação e o esmaga sob o pé, rompendo com o Sistema, e depois toca com a ponta dos dedos o rosto de Isa, paralisada.
// Beco Abandonado

Enquanto Bia se preparava para entrar na mata, o silêncio no beco onde Isa estava paralisada continuava. Natália permanecia de pé, olhando para a rua principal. Não era mais o SENTINELA austero — era dócil como uma mãe. Abaixou a cabeça, tirou o bracelete de comunicação do pulso e o esmagou sob o pé. O som seco e sutil indicava a quebra da lealdade ao Sistema. Olhou para Isa, paralisada, depois tocou o rosto dela com a ponta dos dedos.

UNIDADE 734-ALFA-ÔMEGA — VÍNCULO ROMPIDO.

PROCEDIMENTO: REVOGAÇÃO DE ACESSOS E MANDATO DE EXECUÇÃO EM ANDAMENTO.

— Você é corajosa. Mas ingênua. Coragem é inútil sem conhecimento e estratégia, Isa — murmurou.

Sorriu — um sorriso triste e exausto.

— Não sei o que teria acontecido com você se eu não estivesse por perto. Mas posso imaginar.

Natália, ajoelhada no beco, cobre com o próprio casaco o corpo adormecido de Isa, num gesto de proteção silenciosa.

Natália se ajoelhou ao lado de Isa, tirou o casaco e cobriu o corpo da menina. Ali estava ela, protegendo a menina que viera do passado para salvar o futuro.

Isa respirou lentamente, o efeito da hipnose aprofundando o sono. Natália fechou os olhos. O SENTINELA não estava perseguindo aquelas meninas — ao contrário, oferecia proteção silenciosa. Estava à espera do momento certo para contar o segredo que carregava. Mal podia esperar por isso.

// Em Produção

O próximo capítulo ainda não foi publicado.

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