Até que o chão mudou. Como se o deserto decidisse voltar a ser o que era. As criaturas desapareceram. O jardim evaporou. As dunas arquearam-se. O vento retornou — mais quente, mais duro, carregando um som distorcido: vozes atravessando um rádio quebrado.
Clara segurou o braço de Bia com força:
— A Gestora… só pode ser ela. Deve estar preparando um novo ataque!
Isa apontou para o alto de uma duna distante:
— Vejam — tem alguém nos observando.
Uma silhueta humana, mal definida, começou a caminhar na direção delas. O calor do deserto dificultava identificar a imagem.
O grupo foi tomado por uma sensação estranha — um vento gélido, como um sopro na nuca. Sofia perguntou:
— Vocês sentiram isso?
Sim, todas sentiram. Um frio percorrendo a espinha, contrastando com o calor ardente. O vento soprou mais forte, levando areia de luz para cima num turbilhão. A figura enigmática ainda caminhava na direção delas. Um brilho púrpura parecia emanar do corpo.